quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Breve pensamento acerca do processo de autoconhecimento




O caminho de quem deseja tomar as rédeas da própria vida tem seus desafios. Encarar a mudança de frente requer reconhecer que tanto o problema quanto as soluções partem de si próprio, mesmo quando tudo leva a crer que nada mais pode ser feito para melhorar. Seja com uma conversa amiga, uma terapia, uma cirurgia, um tratamento por via oral, uma caravana, uma cirurgia espiritual, um passe; todas formas de transformação envolvem pelo menos uma coisa em comum: aquele que quer mudança. É inegável que algumas funções são desempenhadas por familiares, amigos ou profissionais na jornada de cada um, porém nenhuma ajuda é eficiente sem que alguém queira, aceite, ou peça ajuda, ou, principalmente, se ajude a ser ajudado.
É de senso comum para quem vê de fora, entretanto, para quem vê de dentro, muitas vezes, é muito diferente, muito desafiador perceber tanto o papel que se deve desempenhar para melhorar quanto saber distinguir que comportamentos fazem com que se desista ou atrase a busca por autoconhecimento. Portanto, reconhecer alguns sinais de boicote, fuga e distração do autoconhecimento é essencial para zelar pelo próprio caminho de autotransformação. Alguns deles são mecanismos de defesa muito comuns a processos de luto e aceitação de doença ou de hospitalização ou de defesa do ego que aparecem devido a uma fase de choque em que o indivíduo, frente ao vasto caminho de autoconhecimento que se revela, tende a enfrentar dúvidas acerca da jornada que toma.

Alguns deles são:

Negação: consiste em simplesmente negar fatos a fim de evitar reconhecê-los. Exemplo: a pessoa que, em recuperação de uma cirurgia, faz esforço não recomendado para mostrar que já está bem.
Racionalização: encontrar explicações para um erro sem totalmente o justificar. Exemplo: deixar de tratar de um assunto delicado com alguém por pensar “nem era tão importante”, “essa pessoa não iria escutar”, “sou sempre eu quem tenta falar”...
Projeção: tentar justificar um erro colocando a culpa em objetos ou pessoas. Exemplo: o jogador de futebol que coloca a culpa na bola, a pessoa que trata alguém com hostilidade por considerá-lo hostil, sem que necessariamente esse alguém o seja.
Regressão: agir como em uma fase anterior ao seu próprio desenvolvimento de modo a resolver o problema. Exemplo: a pessoa que age como uma criança para ter aquilo que quer.
Hospitalização: hipervalorizar sintomas ou inventá-los para receber cuidado especial.

Entre outros, valendo dizer que é normal apresentar esses mecanismos regularmente sem que isso se torne prejudicial. Somente se tornam maléficos se usados em demasia, sendo alguns menos construtivos como a negação e outros mais construtivos.
Por fim, é importante constatar que o caminho do autoconhecimento é um processo de permanente aprimoramento em que há sempre espaço para novas descobertas e novos desafios, sendo importante estar em constante revisão de si próprio ao longo da vida. É uma transformação muito individual, devendo-se dar tempo ao tempo, pedir ajuda quando necessário e recebê-la, mas sempre ter em mente que a maior força nesse caminho é a força de quem quer mudar, o “auto” em “autoconhecimento”. 


Texto por Gabriel Mesquita
Terapeuta do Núcleo Terapêutico Rosa Cristal.


Leitura sugerida:
Sobre a morte e o morrer, de Elisabeth Kübler-Ross.

 

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário