O caminho de quem deseja tomar as rédeas da própria vida tem
seus desafios. Encarar a mudança de frente requer reconhecer que tanto o
problema quanto as soluções partem de si próprio, mesmo quando tudo leva a crer
que nada mais pode ser feito para melhorar. Seja com uma conversa amiga, uma
terapia, uma cirurgia, um tratamento por via oral, uma caravana, uma cirurgia
espiritual, um passe; todas formas de transformação envolvem pelo menos uma
coisa em comum: aquele que quer mudança. É inegável que algumas funções são
desempenhadas por familiares, amigos ou profissionais na jornada de cada um,
porém nenhuma ajuda é eficiente sem que alguém queira, aceite, ou peça ajuda,
ou, principalmente, se ajude a ser ajudado.
É de senso comum para quem vê de fora, entretanto, para quem
vê de dentro, muitas vezes, é muito diferente, muito desafiador perceber tanto
o papel que se deve desempenhar para melhorar quanto saber distinguir que
comportamentos fazem com que se desista ou atrase a busca por autoconhecimento.
Portanto, reconhecer alguns sinais de boicote, fuga e distração do
autoconhecimento é essencial para zelar pelo próprio caminho de autotransformação.
Alguns deles são mecanismos de defesa muito comuns a processos de luto e aceitação
de doença ou de hospitalização ou de defesa do ego que aparecem devido a uma
fase de choque em que o indivíduo, frente ao vasto caminho de autoconhecimento
que se revela, tende a enfrentar dúvidas acerca da jornada que toma.
Alguns deles são:
Negação: consiste em simplesmente negar fatos a fim de evitar
reconhecê-los. Exemplo: a pessoa que, em recuperação de uma cirurgia, faz esforço
não recomendado para mostrar que já está bem.
Racionalização: encontrar explicações para um erro sem totalmente
o justificar. Exemplo: deixar de tratar de um assunto delicado com alguém por
pensar “nem era tão importante”, “essa pessoa não iria escutar”, “sou sempre eu
quem tenta falar”...
Projeção: tentar justificar um erro colocando a culpa em
objetos ou pessoas. Exemplo: o jogador de futebol que coloca a culpa na bola, a
pessoa que trata alguém com hostilidade por considerá-lo hostil, sem que
necessariamente esse alguém o seja.
Regressão: agir como em uma fase anterior ao seu próprio
desenvolvimento de modo a resolver o problema. Exemplo: a pessoa que age como
uma criança para ter aquilo que quer.
Hospitalização: hipervalorizar sintomas ou inventá-los para
receber cuidado especial.
Entre outros, valendo dizer que é normal apresentar esses mecanismos
regularmente sem que isso se torne prejudicial. Somente se tornam maléficos se
usados em demasia, sendo alguns menos construtivos como a negação e outros mais
construtivos.
Por fim, é importante constatar que o caminho do autoconhecimento
é um processo de permanente aprimoramento em que há sempre espaço para novas
descobertas e novos desafios, sendo importante estar em constante revisão de si
próprio ao longo da vida. É uma transformação muito individual, devendo-se dar
tempo ao tempo, pedir ajuda quando necessário e recebê-la, mas sempre ter em
mente que a maior força nesse caminho é a força de quem quer mudar, o “auto” em
“autoconhecimento”.
Texto por Gabriel Mesquita
Terapeuta do Núcleo Terapêutico Rosa Cristal.
Terapeuta do Núcleo Terapêutico Rosa Cristal.
Leitura sugerida:
Sobre a morte e o morrer, de Elisabeth Kübler-Ross.
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