segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Enfrentando o tabu do suicídio




“Um maior número de pessoas comete suicídio anualmente do que as que morrem em todos os conflitos mundiais combinados”. Essa afirmação consta em um material da Organização Mundial da Saúde sobre prevenção do suicídio (abaixo listado). Uma rápida busca na internet basta para confirmar isso, porém, você não acha estranho que se fale tão pouco no assunto suicídio em comparação com conflitos armados? Deveríamos, proporcionalmente, falar aproximadamente dez vezes mais sobre suicídio ao redor do mundo do que sobre mortes por conflitos armados se fôssemos tomar por parâmetro o número de vítimas de cada um desses problemas. No entanto, temos enraizado na sociedade um tabu. Quase ninguém fala sobre, quase ninguém divulga, quase ninguém pergunta, pesquisa, conhece, sabe, ouve sobre suicídio. Por que? E deveríamos falar mais a respeito?
São inúmeros fatores os que nos impedem de abordar o tema, seja por medo, delicadeza, por pena das vítimas, educação, tristeza, até orientação religiosa e razões históricas. São várias as boas e más razões para tanto, porém, quando se trata de salvar vidas, prevenir que alguém próximo a nós (ou até nós mesmos) tire a própria vida, é necessário tocar, sim, no assunto.
Não devemos menosprezar o sofrimento das pessoas ou desacreditá-las. Se alguém dá sinais de desesperança, ou até mesmo fala em se matar, precisamos acolher essa pessoa com um diálogo paciente e livre de preconceitos, centrado na pessoa, em um lugar calmo e que favoreça o compartilhamento. Precisamos nos certificar de que ela entenda que pode e deve buscar ajuda tanto com as pessoas mais próximas quanto junto a profissionais da área da saúde e, caso a pessoa tenha os meios e a intenção de tirar a própria vida ainda assim, é ideal que não fique desacompanhada até que outras providências sejam tomadas. Até porque, estatisticamente falando, aqueles que falam em se suicidar são justamente os que mais o fazem, muitas vezes percebendo a repulsa com que as pessoas os tratam ao mencionar o fato, dizendo que é algo absurdo de se pensar, que não é lógico, que a pessoa não tem o direito, que é pecado, entre outros. Quando ocorrem tais interações negativas, pessoas com ideações suicidas podem acabar vendo as últimas portas da esperança se fecharem: as portas do diálogo.
Reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém é o primeiro passo para a prevenção do suicídio. Fique atento ao comportamento de isolamento excessivo (por exemplo: evitando atender a telefonemas, ficando demasiado em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, especialmente aquelas que costumava ou gostava de fazer); ao uso de frases como "quero desaparecer", "vou deixar vocês em paz", "eu queria dormir e poder nunca mais acordar", "é inútil fazer algo para mudar, eu só quero me matar"; se a pessoa passou por eventos estressores ou traumas recentes. Esses, entre outros, são possíveis indicativos de alerta para risco de suicídio. É importante, portanto sabermos que o pensamento suicida, apesar de relativamente comum, não é normal e tem solução.



PARA AJUDA IMEDIATA:


Centro de Valorização da Vida: Quero Conversar
“Mesmo que você não tem certeza de que precisa de nossa ajuda, não tenha receios em entrar em contato com a gente. Um de nossos voluntários estará à sua disposição.”

Fontes que valem a pena conferir:
O que posso fazer para ajudar quem pensa em suicídio?”
Link para o texto: https://www.cvv.org.br/blog/o-que-posso-fazer-para-ajudar-quem-pensa-em-suicidio/
 
Para saber sobre o Setembro Amarelo:
O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão. Visite www.setembroamarelo.org.br.

Material da OMS:
PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: Um recurso para conselheiros


Texto por Gabriel Mesquita
Terapeuta do Núcleo Terapêutico Rosa Cristal.


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