domingo, 16 de dezembro de 2018

Como é sua autoestima?






É comum ouvir que devemos ter uma boa imagem de nós mesmos, que devemos valorizar nossas qualidades e prezar pela nossa individualidade, que devemos ter o que se trata de uma autoestima boa. Estes são bons conselhos, porém muitas vezes são mal interpretados e distorcidos, levando a crer que o indivíduo que os cultiva tem uma autoestima alta.
Bem, separemos o joio do trigo: autoestima ALTA parece algo bom. Apenas parece, pode enganar por um bom tempo. Contudo, “ALTA” não é sinônimo de “BOA”.
Por exemplo, aquele estereótipo do vilão de novela mexicana que tem uma autoestima muito ALTA, diz se sentir muito bem na sua pele, mas, estranhamente, sempre lhe falta algo ele sempre precisa se afirmar para os outros como um ser grandioso, poderoso, benevolente ou armar uma vingança, como se todos os seus problemas não fossem culpa sua, mas sim do bonzinho da história.
Também existem exemplos no nosso cotidiano de pessoas que lembram esses vilões em alguma característica, seja no trabalho, em casa ou mesmo na rua. Podemos perceber alguns detalhes de comportamento como arrogância, prepotência, intolerância ao erro e frustração, ou até mesmo uma necessidade de se mostrar melhor que os outros. Tudo isso enquanto se mantém um “carão” que esconde aquele vazio interior que tanto necessita dessa aprovação, dessa superioridade.
Podemos certas vezes perceber essas características inclusive em nós mesmos. Isso dificilmente vem à tona sem ser provocado por alguma leitura, história assimilada ou terapia, mas, quando percebido, pode nos auxiliar a identificar que algo não está certo. Ainda que provavelmente seja desconfortável, esse exercício pode nos projetar numa jornada de autoconhecimento, autoempatia, autorrespeito, autoacolhimento, e, entre outros, autoestima BOA.
A autoestima BOA é a autoestima de quem reconhece suas qualidades assim como reconhece seus defeitos. É a autoestima de quem tem em seu coração uma imagem completa de si mesmo, de quem não define a si partindo da opinião de familiares ou colegas, embora reconheça que tanto elogios quanto críticas que partem dessas pessoas possam ser construtivos.
Segundo o psiquiatra Dr. Diogo Lara, que esteve a frente de estudos que mapearam os principais perfis de autoestima, assim como os principais fatores que influenciam na construção da autoestima do indivíduo, além da autoestima ALTA, também podemos citar a autoestima BAIXA e a autoestima FRÁGIL.
A autoestima BAIXA é o “inverso” da autoestima ALTA. Nesse perfil, a pessoa adota um padrão autodepreciativo, depende muito da aprovação dos seus pares para sentir-se amada e respeitada, frequentemente falhando em reconhecer suas qualidades para si própria. Já a autoestima FRÁGIL faz referência ao perfil mais dependente da opinião alheia, que reage interna ou externamente de forma muito intensa conforme a os outros o percebem, depositando expectativas a respeito de si próprio em “medidores externos” de sua importância no mundo.
No livro Imersão, do Dr. Diogo Lara, através de uma história bastante ilustrativa e envolvente, conseguimos entender melhor como nossa autoestima é construída ao longo da vida. Se trata, basicamente, de um compilado de todas as influências que tivemos de pessoas ao nosso redor, principalmente daquelas que nos eram mais queridas. Por exemplo, uma criança que sente falta da atenção dos pais, do elogio após uma tarefa bem realizada ou até mesmo de uma crítica construtiva pode futuramente desenvolver um padrão de autoestima baixa, visto que, apesar de seus esforços, não se sentiu digna da atenção dos pais.
Através da técnica de Abordagem Integrada da Mente (AIM), é possível encontrar a raiz desses comportamentos que distorcem a imagem construída do próprio ser ao longo da vida, promovendo bem-estar, autoconhecimento, autoacolhimento e autoestima BOA, além de trazer alívio de angústias associadas a padrões de autoestima ALTA, BAIXA ou FRÁGIL. 

  
Texto por Gabriel Mesquita
Terapeuta do Núcleo Terapêutico Rosa Cristal.


Bibliografia consultada, fontes e links úteis:

Livro "Imersão", de Diogo Lara.

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